segunda-feira, 13 de agosto de 2012

O Brasil é verde, e amarela...

Acabou mais uma edição dos Jogos Olímpicos, e pela enésima vez desde que me entendo por gente o desempenho do Brasil é mais uma vez classificado pela maioria como vexatório, mico, decepcionante, catastrófico e outros adjetivos menos otimistas. Tudo bem que abrir o quadro de medalhas e perceber que ficamos atrás do Irã, que salvo engano só tem anões lutadores e pigmeus levantadores de peso na delegação, da Nova Zelândia, cuja população de ovelhas é quatro vezes maior que a de gente, e do Cazaquistão, país conhecido mundialmente por não ter nada conhecido, é meio humilhante, mas, em termos de números, vá lá, não foi essa desgraça toda. O problema é atitude.

Antes de tudo, não somos uma potência olímpica. Se quisermos um dia figurar entre os dez de cima temos que aprender uma coisa básica: a medalha de ouro do peso-galo da luta greco-romana ou do arremesso de martelo tem exatamente o mesmo peso da do futebol ou do vôlei. A Jamaica se esbalda com seus velocistas, Coréia do Norte, Irã e Cazaquistão com seus levantadores de peso, Hungria com sua canoagem e a gente pagando de versátil, mas, na verdade, totalmente sem foco.

Outro fator preponderante é essa fama de amarelão que o atleta brasileiro desenvolveu através dos jogos. Sempre que ele ou ela são favoritos, na hora do pega pra capar, da jurupoca piar, da onça beber água, o caldo entorna. É um tal de vento atrapalhando, dor no pé, cair de bunda, dia ruim... Passam os 4 anos do ciclo olímpico ganhando e quando o negócio vale ouro, chiam. A Fabiana Murer, por exemplo. Uma vez perde a vara, na outra não salta por causa do vento. Se colocarem essa menina num quarto com ventilador de teto ela faz o que? Chama a mãe e chora? Menos mal que não é o Diego Hypólito que salta com a vara, com essa mania dele de aterrissar de costas ia acabar virando uma maçã do amor, se é que você me entende. A verdade é que, no geral, o atleta olímpico brasileiro tem o equilíbrio emocional de uma ameba acéfala e a consistência de um pudim de leite. E fale o que quiser dos americanos, mas eles são educados desde pequenos a entrar pra ganhar até em totó e dominó, enquanto o brasileirinho acha legal ficar em 5º. Se não tem estrutura é exemplo de superação, se é favorito arruma desculpa.

Tem também aquela parcela da torcida que adora passar a mão na cabeça, os chamam de coitadinhos, falam coisas do tipo ‘só nós sabemos o que eles passaram para chegar lá’ e afins, como se o sueco que ganhou o ouro tivesse recebido um implante de chip estilo Matrix e se transformado no melhor do mundo por milagre, sem esforço, sem sofrimento, sem mérito. Todo atleta sofre pressão, e o cara que sobe no degrau mais alto é aquele que une capacidade técnica, física e habilidade pra lidar com ela, a pressão. Isso é puro reflexo da educação da gente, que, ao contrário de americanos, europeus e asiáticos, não aprendemos a lutar pra chegar ao topo, e sim a tentar sempre arrumar um jeito de se dar bem. E quando lutamos, quase que invariavelmente, lutamos do jeito errado, sem a inteligência e o equilíbrio que os gringos têm. Sempre existe uma história de superação por trás de um vencedor, seja ele da nação mais rica do mundo ou do buraco mais fedido. O brasileiro que tem esse pensamento precisa urgentemente aprender a diferenciar o vencedor do campeão. O vencedor é aquele que vence as dificuldades. O campeão é aquele que vence todos os outros vencedores.

Espero que nesses quatro anos que temos pela frente os atletas brasileiros aprendam com as derrotas, porque elas valem muito mais do que as pequenas vitórias quando o objetivo é grandioso. Quem precisa de participante é abaixo-assinado, já tá mais do que na hora do Brasil deixar pra trás esse discurso patético de perdedor honroso, de coitadinho, esse complexo de vira-latas que faz a gente se conformar com tão pouco. Cabeça erguida, sem nunca se contentar só de estar ali. Se perderem que percam com os bagos inchados, que nem o vôlei masculino e o Esquiva, sem amarelar nem dar desculpas.

E por fim, pelo amor de Deus, COB... Cuidado com quem vão convidar ou usar pra representar o país nas cerimônias de abertura e encerramento! Num país de Villa-Lobos, Pixinguinha, Luiz Gonzaga, Tom Jobim, Gilberto Gil, Zé Ramalho, Marisa Monte, Lenine, Herbert Vianna e tanta gente boa não me venham com Ivete, Chimbinha, Claudia Leitte, Latino e Michel Teló! Já nos bastam os clichês da bateria de escola de samba e da mulata gostosa...

Que venham os Jogos, e que em 2016 a frase ‘brasileiro derruba gringo e leva ouro’ seja mais lida no caderno de esportes do que em BO de delegacia.

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