terça-feira, 21 de agosto de 2012

Política, odiosa política

Eu odeio política. Odeio a cara de pau de uns e outros que, generalizando, são iguais entre si e que parecem brigar a campanha inteira apenas pra provar aos eleitores que o adversário tem um histórico de desserviços prestados à sociedade mais extenso e cabeludo. Dissecam a vida pregressa um do outro, se falam mal, um é o capeta, o outro é satanás, e anos depois aparecem apertando as mãos, aliados, juras de amor eterno, elogios mútuos, praticamente dois santos temperantes.

O enredo não muda, a oposição quer o poder, e pra isso deixa claro que tudo que a situação faz é errado. A situação mostra ou que a oposição está despreparada pra ser situação ou que, quando o foi e se já o foi, só fez errado. Quando a situação vira oposição fala que a agora situação faz tudo errado, e a agora situação faz tudo que a nova oposição fazia quando era situação, igualzinho, tudo errado. Parece confuso mas é simples: todo mundo faz tudo errado.

Pra que votar então? Boa pergunta. Eu, como odeio política, voto nulo, sempre. Aliás, enquanto o voto for obrigatório votarei nulo, invariavelmente. Morei três anos na Nova Zelândia e só sabia que havia eleição naquele dia porque uma ou outra das várias pessoas que conhecia resolvia votar - ou então era a única que manifestava que iria. Lá o voto é facultativo, não existe propaganda eleitoral, vida pública e histórico político do candidato estão disponíveis na internet pra quem quiser conferir, não se vê um panfleto na rua, outdoor, carro de som, nada, absolutamente nada. Você vota baseado no que o sujeito ou a sujeita fez, preto no branco, e na proposta do partido. Sim, lá, como em todo país que leva política a sério, os partidos têm propostas, as seguem, e você vota sabendo exatamente o que esperar. Aqui somos obrigados a conviver com essa poluição sonora, visual e física que faz a cidade parecer um macacão de piloto de F1 gigante, e sabendo que as propostas dos candidatos serão todas jogadas no lixo mediante alegações de impossibilidade disso e daquilo, falta de apoio da base, orçamento limitado, oposição vilanesca e mais um monte de desculpas passadas. É óbvio que existem pessoas bem intencionadas, honestas, com propostas sólidas e boa vontade, mas de que adianta colocar um camarão num prato cheio de baratas?

O que fazer? Sinceramente não sei. Minhas soluções são radicais demais pra serem discutidas, prefiro me abster, mas não chegaria ao ponto de fuzilar o corrupto como fazem na China ou de cortar fora a mão do ladrão, como fazem no mundo árabe. Aliás, se perdendo a ponta do mindinho uns e outros se aposentam por invalidez, fundam um pretenso partido dos trabalhadores, viram presidente, se refestelam na miséria alheia à base de maquiagem política, viram ícone e ganham memória seletiva, imagina se cortam a mão inteira!

Infelizmente o brasileiro, afogado na própria ignorância, se acostumou com a merda. Ao invés de olhar pro mau exemplo e fazer o oposto prefere usá-lo como desculpa pra justificar os próprios erros. Por que jogar o papel e a guimba de cigarro na lixeira, respeitar as leis do trânsito e declarar o IR corretamente se os caras que detém o poder e deveriam dar o bom exemplo fazem essa porcalhada toda que vemos na TV? Discordo, mas os entendo, a culpa por pensarem assim não é deles.

Tenho amigos que gostam, participam, se envolvem, mas não os recrimino. Alguns vêm de famílias políticas, alguns dentro dos alguns fazem parte do raríssimo grupo das exceções, gente realmente do bem (os tais camarões), outros irão se beneficiar de alguma forma, e uma minoria realmente gosta da coisa. Os primeiros apoio veladamente, os segundos torço pra que consigam, afinal, se é uma barata que vai ganhar que pelo menos algum amigo mame nas tetas dela, e os terceiros... Bem, os terceiros espero que arrumem coisa melhor pra fazer, tipo jogar polo aquático com ursos polares ou fazer bungee jumping com fio dental estragado.

Agora chega, pra quem odeia política já falei demais. Não sou cego, nem na ignorância nem na ilusão de que sozinho vou mudar alguma coisa. E quer saber? Que essas eleições passem logo, sem segundo turno, ninguém merece meia hora de Carminhas falsas antes da original.

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