quinta-feira, 19 de setembro de 2013

O STF e sua mensagem de desesperança

Mensagem: s.f. Recado ou notícia oral ou por escrito.
Aquilo que se executa por ordem ou a pedido de alguém.
Comunicação importante transmitida por alguém que é considerado como portador de uma revelação: o Evangelho é a mensagem de Cristo.
Significação profunda de uma obra literária ou artística.
Documento escrito que o presidente da República envia ao Congresso Nacional.

Confesso que fiquei surpreso ao procurar uma definição gramatical para mensagem e me deparar com o que li acima; imaginava um texto mais amplo, menos quadrado, condizente com os rumos que a palavra tomou durante seu curso histórico. A percepção humana vai muito além do escrito ou do dito, interpretar faz parte da nossa natureza. Seja emocionalmente, seja racionalmente, o homem ‘entende’ mensagens das maneiras mais diversas – e absurdas - possíveis.

A pessoa que não atende as ligações de outra não está pronunciando nem escrevendo palavras, mas está dizendo muito mais do que caso respondesse a chamada e pedisse ‘não me ligue mais’. Muitas vezes o ‘não’ da mulher quer dizer sim, e o ‘sim’, não; assim como o ‘sim’ do homem, quase que invariavelmente, significa ‘ok, você venceu...’. Sexismos à parte, passar uma mensagem vai muito além da tal definição teórica, trata-se na verdade de uma troca de informações passíveis de interpretações diferentes.


Pois bem, mudemos para Brasília, 18 de setembro de 2013. O Superior Tribunal Federal está prestes a acolher ou não os tais embargos infringentes - palavras horrorosas, que por si sós já nos fazem pensar em coisa ruim. Não, eu não sou advogado, muito menos magistrado, por favor, guarde seu discurso empolado no armário, junto com sua toga. Na vida real, a do cidadão comum, aquele que, assim como eu, nunca havia ouvido falar de embargos infringentes até outro dia, ninguém será venerado por pura e simplesmente defender a constitucionalidade de qualquer acinte, por institucionalizar aquilo que poderia ter sido usado como exemplo, o ponto de partida para uma moralização sem precedentes na curta história da nossa república. Aliás, a Constituição brasileira é um documento lindo, maravilhoso, deve ficar muito bonita na prateleira do Ministro Celso de Mello, tão bonita quanto o discurso impecável e milimétrico que ele preparou para defender seu voto.

Agora lhes pergunto: que mensagem o Senhor Ministro Celso de Mello e todos os outros ministros que votaram pelo novo julgamento dos mensaleiros passaram para o povo brasileiro? A de que a Constituição deve ser respeitada, ou a de que a impunidade impera nas altas cúpulas do poder? A de que os ministros seguiram a Constituição, ou a de que os mensaleiros não a respeitaram e se safaram, livres? A de que o STF representa o cidadão, ou a de que ele representa um grupo político que, cirurgicamente, implantou ministros caseiros para defendê-los descaradamente?

O STF não pode se dar ao luxo de passar uma mensagem imprecisa para a população pois é nesse momento que o garoto da favela, outrora indeciso, vê mais futuro no fuzil do que nos livros, que o cidadão do bem, benéfico à sociedade, perde a esperança, carimba o passaporte, e vai tentar a vida num lugar mais justo. O STF e o PT não precisaram escrever nem dizer isso com palavras, mas a mensagem que recebemos ontem foi essa, a de que ser desonesto no Brasil vale a pena. Que o país sobreviva.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Direitos humanos, errados humanos

Direitos humanos. Desculpa perfeita para uns e outros, travestidos de intelectuais donos da verdade, com aquele ar de superioridade que lhes é peculiar, saírem por aí nos tentando fazer engolir essa ideia de que todos merecem tratamento digno e igual.



Boston, 14/04/2013. Que direitos deve ter o sujeito que explode uma bomba no meio de uma centena de pessoas inocentes, algumas são mortas, outras mutiladas, tudo sob o pretexto de uma causa divina e uma pretensa salvação prometida por um deus que não é nosso? Por mim nenhuns. Hipocrisia imbecil e retrógrada essa de que os direitos têm que ser iguais para todo mundo. Eu não quero os mesmos direitos desse doente mental. Quero ter o direito de andar despreocupado por aí, livre do perigo de explodirem minha cabeça ou arrancarem minha canela fora. E não quero que ele tenha esse mesmo direito, não depois do que fez.

Nós, seres humanos, não somos todos iguais – e não estou falando de raça ou opção sexual. Para alguns não existe recuperação. Como avaliar o comportamento de um pedófilo se ele, enclausurado, está privado daquilo que dispara seu desvio? Os direitos humanos, por sua vez, consideram justo devolver o criminoso à sociedade, colocando em risco o bem estar de milhares em prol da improvável regeneração de um psicopata incurável. Será que esse mesmo ativista seria tão crédulo e parcimonioso se soubesse que o tal pedófilo reintroduzido mora a dois quarteirões da escola onde os filhos dele estudam? É o demagogo que repudia o serviço de inteligência americano que (alguém duvida?) vai apagar vários dos terroristas responsáveis pelo atentado de Boston durante a busca e captura, o mesmo que pediria a pena de morte aos capturados com vida caso fosse pai da criança de oito anos assassinada ou dos dois irmãos que perderam as pernas. Nada dói até que lhe doa.

Os direitos humanos têm origem em conceitos religiosos, da ideia de que os direitos são universais e naturais. A pergunta é: como convergir religião e justiça dos homens sendo tão diferentes as religiões, as justiças e os... homens? Uns matam por fé, outros perdoam por fé, uns condenam criminosos à morte, outros condenam inocentes à morte soltando criminosos. Na teoria lindo, na prática um desastre. Que um dia percebam isso, como podemos ser todos iguais perante Deus se cada um de nós tem um deus diferente?

Enquanto os ditos direitos humanos forem isso, uma utopia baseada em conceitos falidos e que serve mais pra proteger o que fere do que o que foi ferido, o mundo continuará presenciando essa escalada irracional de selvageria. É o contrassenso do bom que opera em favor do mal: os direitos humanos contra os humanos direitos.

Resumindo, sem purpurina, bandido não deve ter direito, não deve ter família, não deve ter pátria. Lugar de vagabundo é na cadeia, longe da sociedade que não soube respeitar.

terça-feira, 12 de março de 2013

As novas donas do pedaço

Durante décadas as mulheres cariocas, salvas exceções – sejam por terem maridos fiéis, ou, verdadeiras pioneiras visionárias, por não deixarem barato e rebaterem à altura -, foram vítimas passivas da malandragem masculina. Sim, pioneiras, as rebeldes eram o prenúncio dos novos tempos. Se antigamente ainda existiam muitos companheiros leais e poucas retrucantes, a realidade do século XXI é inversamente proporcional. A guerra se instaurou, e sabem qual é a maior diferença entre nós homens e elas? Nós não sabemos fazer, elas sabem.



O círculo vicioso tomou conta da sociedade solteira. Se antes o homem queria continuar sozinho porque assim era cômodo e bom, hoje em dia não quer namorar porque não existe mulher que preste. Ótima desculpa – às vezes até verdadeira, depende da sua sorte e percepção – mas é fato que ainda existem bem mais mulheres que valem à pena do que homens. No entanto, mesmo diante desse dado estatístico inquestionável, o surgimento de novas sub-espécies do gênero feminino se prolifera, e esses seres perigosos se espalham, incólumes e sorrateiros, pelas ruas do Rio de Janeiro. Algumas até usam a naturalidade diversa pra atacar as muitas vezes injustiçadas cariocas, mais um disfarce vil e mortal que, invariavelmente, nos engana num primeiro momento ingênuo de credulidade. Mas lembrem-se, portadores de testosterona, o jogo virou, todo cuidado agora é pouco, não importa a origem geográfico-social.

A grande pergunta é: como identificá-las? Difícil. Cientistas descobrem e cadastram novas espécies de lhamas, jacarés, gafanhotos e afins todos os dias; imaginem agora, como podemos registrar um novo tipo de mulher-beligerante se nem um cadastro de espécies conhecidas possuímos? Pois é, ciente disso, por minha própria conta e risco, baseado em experiências próprias e de terceiros e sem fins lucrativos, resolvi fazer minhas anotações. Cruzei – na maioria das vezes apenas no sentido de esbarrar – com algumas dessas espécies, e acho justo e pertinente agora divulgar esse conhecimento, mesmo parco e carente de embasamento teórico-científico, pra que vocês, raros homens de boa índole que, assim como eu, procuram uma boa mulher pra namorar e casar, não caiam nas armadilhas ardilosas dessas pseudo-vítimas. Leiam, estudem, anotem.

Pra começar, uma que me marcou bastante foi a mulher-bebê, extremamente complicada de reconhecer. Como o próprio nome ‘científico’ sugere, tem cara de cuti-cuti, parece frágil, chora por qualquer coisa, mas basta ter paciência, dar tempo ao tempo e sacudir um pouco que a merda sai. Uma bem traiçoeira é a mulher-denílson. Essa dá toda pinta de que quer jogo, engraçada, carismática, joga aberta pela ponta, se insinua, vai pra frente, bota o pé na bola, gira, vai pra trás, mas, na hora de fazer o gol e partir pro abraço, para a jogada, passa pro lado, vai pra sombra e fica esperando o próximo marcador. Outra que anda bastante em voga, principalmente nesse período pós-carnaval, é a mulher-caixa de banco, também conhecida como ‘bem que eu avisei’. Tá sempre de cara amarrada, reclama de tudo, mas passa o dia inteiro avisando pra quem quiser ouvir – e pra quem não quiser também - que a fila andou. Como esquecer também da mulher-catraca, aquela que roda na mão de todo mundo, é onipresente não importa aonde você vá, mas acaba sempre encontrando um passageiro de primeira viagem que acha que pagando a rodada vai chegar no ponto final. Chegar até chega, o problema é que, ao contrário da mulher-caixa de banco, que fala mais do que faz, essa espécie peçonhenta faz de tudo pra que sua fila, sempre comprida, ande na surdina. Mas a pior de todas, pelo menos a mais chata e pentelha, é, sem sobra de dúvida, a mulher-de-malandro-4G-100-mega-de-velocidade-ultra-plus-turbo. Que Deus nos proteja, essa mala sem alça reclama todo santo dia no Facebook que nenhum homem presta, fala pra mãe que os rapazes de hoje não querem compromisso, que homem de caráter é mais difícil que sinal da TIM, mas sempre que encontra um que a leva a sério vira mulher-híbrida, incorpora todas as anteriores, faz merda, enrola, realiza nas redes sociais, pega outro, e acaba jogando a oportunidade no ralo. Esses são alguns exemplos, mas, assim como lutadores modernos de MMA, essas mulheres estão cada dia mais versáteis, tanto na luta em pé quanto na de solo. Se não te acertam com um direto no queixo te botam pro chão e levam seu braço pra casa. Conhecem outras espécies? Compartilhem!

Enquanto isso, você, homem assim como eu, não adianta reclamar nem espernear, é o momento delas, a hora da vingança, de usufruírem o poder que sempre tiveram, mas que nunca souberam usar, de ligarem pra best contando do estrago que fizeram na noite anterior, e depois fazerem charminho no whatsapp com aquele fofo que elas acham que tem potencial pra virar namorado no dia que elas acharem por bem. Simples e descomplicado, repito, o jogo virou. Mas, guerra vigente, o que fazer? Aceito sugestões, mas em todo caso fiquem com uma das duas opções conhecidas: rezem pra ela ser uma daquelas que ainda valem a pena e paguem pra ver, acreditem, nem tudo está perdido, ou, simplesmente... Sejam piores ainda, afinal nisso somos mestres! Mas lembrem-se, se a escolha for essa levantem bem a guarda, nosso oponente agora atira pra matar.