terça-feira, 12 de março de 2013

As novas donas do pedaço

Durante décadas as mulheres cariocas, salvas exceções – sejam por terem maridos fiéis, ou, verdadeiras pioneiras visionárias, por não deixarem barato e rebaterem à altura -, foram vítimas passivas da malandragem masculina. Sim, pioneiras, as rebeldes eram o prenúncio dos novos tempos. Se antigamente ainda existiam muitos companheiros leais e poucas retrucantes, a realidade do século XXI é inversamente proporcional. A guerra se instaurou, e sabem qual é a maior diferença entre nós homens e elas? Nós não sabemos fazer, elas sabem.



O círculo vicioso tomou conta da sociedade solteira. Se antes o homem queria continuar sozinho porque assim era cômodo e bom, hoje em dia não quer namorar porque não existe mulher que preste. Ótima desculpa – às vezes até verdadeira, depende da sua sorte e percepção – mas é fato que ainda existem bem mais mulheres que valem à pena do que homens. No entanto, mesmo diante desse dado estatístico inquestionável, o surgimento de novas sub-espécies do gênero feminino se prolifera, e esses seres perigosos se espalham, incólumes e sorrateiros, pelas ruas do Rio de Janeiro. Algumas até usam a naturalidade diversa pra atacar as muitas vezes injustiçadas cariocas, mais um disfarce vil e mortal que, invariavelmente, nos engana num primeiro momento ingênuo de credulidade. Mas lembrem-se, portadores de testosterona, o jogo virou, todo cuidado agora é pouco, não importa a origem geográfico-social.

A grande pergunta é: como identificá-las? Difícil. Cientistas descobrem e cadastram novas espécies de lhamas, jacarés, gafanhotos e afins todos os dias; imaginem agora, como podemos registrar um novo tipo de mulher-beligerante se nem um cadastro de espécies conhecidas possuímos? Pois é, ciente disso, por minha própria conta e risco, baseado em experiências próprias e de terceiros e sem fins lucrativos, resolvi fazer minhas anotações. Cruzei – na maioria das vezes apenas no sentido de esbarrar – com algumas dessas espécies, e acho justo e pertinente agora divulgar esse conhecimento, mesmo parco e carente de embasamento teórico-científico, pra que vocês, raros homens de boa índole que, assim como eu, procuram uma boa mulher pra namorar e casar, não caiam nas armadilhas ardilosas dessas pseudo-vítimas. Leiam, estudem, anotem.

Pra começar, uma que me marcou bastante foi a mulher-bebê, extremamente complicada de reconhecer. Como o próprio nome ‘científico’ sugere, tem cara de cuti-cuti, parece frágil, chora por qualquer coisa, mas basta ter paciência, dar tempo ao tempo e sacudir um pouco que a merda sai. Uma bem traiçoeira é a mulher-denílson. Essa dá toda pinta de que quer jogo, engraçada, carismática, joga aberta pela ponta, se insinua, vai pra frente, bota o pé na bola, gira, vai pra trás, mas, na hora de fazer o gol e partir pro abraço, para a jogada, passa pro lado, vai pra sombra e fica esperando o próximo marcador. Outra que anda bastante em voga, principalmente nesse período pós-carnaval, é a mulher-caixa de banco, também conhecida como ‘bem que eu avisei’. Tá sempre de cara amarrada, reclama de tudo, mas passa o dia inteiro avisando pra quem quiser ouvir – e pra quem não quiser também - que a fila andou. Como esquecer também da mulher-catraca, aquela que roda na mão de todo mundo, é onipresente não importa aonde você vá, mas acaba sempre encontrando um passageiro de primeira viagem que acha que pagando a rodada vai chegar no ponto final. Chegar até chega, o problema é que, ao contrário da mulher-caixa de banco, que fala mais do que faz, essa espécie peçonhenta faz de tudo pra que sua fila, sempre comprida, ande na surdina. Mas a pior de todas, pelo menos a mais chata e pentelha, é, sem sobra de dúvida, a mulher-de-malandro-4G-100-mega-de-velocidade-ultra-plus-turbo. Que Deus nos proteja, essa mala sem alça reclama todo santo dia no Facebook que nenhum homem presta, fala pra mãe que os rapazes de hoje não querem compromisso, que homem de caráter é mais difícil que sinal da TIM, mas sempre que encontra um que a leva a sério vira mulher-híbrida, incorpora todas as anteriores, faz merda, enrola, realiza nas redes sociais, pega outro, e acaba jogando a oportunidade no ralo. Esses são alguns exemplos, mas, assim como lutadores modernos de MMA, essas mulheres estão cada dia mais versáteis, tanto na luta em pé quanto na de solo. Se não te acertam com um direto no queixo te botam pro chão e levam seu braço pra casa. Conhecem outras espécies? Compartilhem!

Enquanto isso, você, homem assim como eu, não adianta reclamar nem espernear, é o momento delas, a hora da vingança, de usufruírem o poder que sempre tiveram, mas que nunca souberam usar, de ligarem pra best contando do estrago que fizeram na noite anterior, e depois fazerem charminho no whatsapp com aquele fofo que elas acham que tem potencial pra virar namorado no dia que elas acharem por bem. Simples e descomplicado, repito, o jogo virou. Mas, guerra vigente, o que fazer? Aceito sugestões, mas em todo caso fiquem com uma das duas opções conhecidas: rezem pra ela ser uma daquelas que ainda valem a pena e paguem pra ver, acreditem, nem tudo está perdido, ou, simplesmente... Sejam piores ainda, afinal nisso somos mestres! Mas lembrem-se, se a escolha for essa levantem bem a guarda, nosso oponente agora atira pra matar.